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02:41

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Perdi o sono, me perdi num mar salgado por entre as letras das nossas músicas, que ficaram pra trás. Apesar de tudo, de tudo mesmo, me bateu uma falta de você nessa madrugada. Disquei seu número e apaguei umas quinze vezes no visor do meu celular. Dezesseis vezes e uma chamada. Duas. Você atende. Silêncio. Nossas respirações. Vinte e dois segundos e um filme em preto e branco pelos olhos. Chamada encerrada. Um choro guardado. 02:41. De vez em quando eu te vejo aqui nessas minhas insônias, feito um vulto distante sempre a se afastar, e aí eu te procuro em algum lugar por onde andei e não sei como voltar. Essa noite bateu uma saudade e a merda dessa TPM aliou-se contigo numa batalha de lembranças pra me derrotar. Perdi. Eu sinto sua falta. Pra falar a verdade, eu sinto muito a sua falta. Nunca fiquei tanto tempo longe de você. Não sei se ainda te amo, amor não deve ser isso. Mas, se não for, deve passar bem perto. Eu sei é que essa madrugada meu sono foi pra perto de você e me trouxe...

Seu tipo

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Eu não sou o tipo de mulher que você procura. É, eu já andei investigando as suas preferências e, sério, não me enquadro – o que, pra mim, é uma grande pena (dessas que caem assim de leve e o vento leva pra onde quer, depois de uma queda bem alta de um pássaro que voava com muita esperança). Não faço o tipo boneca, não sou menina, também não sou mulher. Eu não sou do tipo que finge gostar do que você gosta só pra te agradar. Não gosto da sua banda preferida. Mas, sei lá, de repente a gente pode ir a um show juntos. Que tal? Não sou fã do esporte que você pratica, mas estou sempre lá torcendo por você. Não assisto àquele programa de TV que você tanto fala, mas posso te escutar contar cada detalhe por um dia inteiro. Sou apenas uma garota sem graça, talvez, tentando roubar alguns centavos da sua atenção. Talvez seja um erro, sei lá, mas não sei forçar nada. Não sei fingir, você sabe bem que não. E é aí que eu me ferro, pra variar. Falo demais e você, de menos. Sou meio direta e você ...

Furta-cor

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Around the world me lembra você. Nem sei por quê. Não é a letra. Na verdade, Oasis me lembra você. E Oasis me acalma. Então talvez seja isso, você me acalma. Também não sei por que, nem como. É só você me olhar com essa cara de bobo que o mundo nem gira mais. Você me bagunça. Sabia? E essa sua pose de garoto em corpo de homem me desarma toda. Ta, nós somos amigos. Conversamos como amigos. Brincamos como amigos. Abraço de amigo. Carinho de amigo. Mas, de repente o mundo fica todo cheio de graça quando a gente ta junto. E nada importa. Como explica? Eu não sei qual o nome disso que rola entre a gente. Na verdade, nem sei ao menos se rola mesmo algo entre a gente ou se isso mexe só comigo. Não sei se só eu acho que tem um quê quando a gente se olha, não sei se só eu fico sem graça quando te vejo chegar de longe. Eu sei é que ouço Whatever e me dá uma vontade danada de estar do seu lado, dá vontade de não desistir, de... sei lá. Putz. Aí tudo volta, sabe. Aquela vontade de te te...

Entre café e uns tragos de cigarro

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Paz. Só queria um pouco de paz, mais um gole de café e você ali dormindo enquanto rabisco esses trabalhos intermináveis de fim de semestre à meia luz da escrivaninha. Eu gosto de ver você dormindo enquanto escrevo qualquer coisa. Se fumasse, acenderia um cigarro agora e pararia de escrever. Eu gosto dessas noites calmas, de brisa bem leve, cortina balançando, eu, meus papéis, você dormindo o sono dos inocentes. Sinto falta disso. E olho do lado e você não está lá, não bagunçou minha cama nem deixou a toalha molhada na cabeceira, não molhou meu espelho nem, irritavelmente, reclamou dos meus cabelos na escova de pentear. Nem consigo escrever direito o que havia começado. Duas palavras e travo. Só queria um pouco de ar, um pouco de sono e você aqui pra me fazer dormir. Mas, me afogo em tudo que, inutilmente, me ponho a fazer. Me atolo em papéis e discursos infindáveis de como-não-cair-em-prantos enquanto deposito meus rabiscos de um jeito qualquer no canto do quarto em letras mancha...

Dos medos - bobos, eu sei

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Tenho medo. É, medo. Você não entende. Eu sei. Tenho medo que essa falta que eu sinto seja saudade mesmo. Medo que você chegue de novo e me mostre tudo que eu quero ver, medo que você me abrace e me falte o ar. Medo que você quebre minhas costelas, minhas pernas e o gelo do meu coração. Eu tenho medo, você entende? Medo que você supere minhas expectativas e seja realmente aquilo que eu penso que é. Medo que você diga aquelas palavrinhas mágicas e me tire do meu mundo. Tenho medo de deixar de ser eu, medo de ser você, medo que você me faça ser alguma coisa que ame e queira e sonhe muito. Medo de ser alguma coisa que ando fugindo de ser. Aí eu me escondo aqui, nessa armadura. Me faço de forte, finjo que não ligo. Mas, você sabe. Sou medrosa. Você entende? Não. Eu sei. Eu só tenho medo, medo dos meus sentimentos. Medo de dizer o que sinto, medo do que sinto. Eu me escondo aqui e você me acha. Tenho medo de me perder, medo de não te encontrar. Medo de te encontrar. Tenho medo disso -...