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Mostrando postagens com o rótulo Casos contados e outros contos

Sotaque

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Ele tinha o sotaque pernambucano - e o sorriso perfeito também. Usava uma regata branca (eu detesto regatas, mas adoro branco) e uma bermuda jeans meio surrada, mas que caiu muito bem nele. Bem básico, de havaianas limpinhas. Moreno, alto, bonito e sensual. Talvez seja casado. Mas é tão jovem, 24 anos, só (vi lá nos seus dados). Não, não deve ser casado. Mas, deve ter uma namorada, um rolo, um casinho, certeza que tem. Será que tem filhos? Ah, pensei demais. Deu vontade de perguntar. Meu cérebro finalmente deu uma desacelerada quando, todo cheio de sotaque, ele me pediu algumas informações enquanto aguardava sua vez de ser atendido. Conversa vai, conversa vem ele disse que ia voltar pra Petrolina, precisava só de um atestado médico, não tinha estado muito bem de saúde (escrevo e ouço ele falando, acredita?). Nem deu tempo de falar que eu morro de vontade de conhecer Pernambuco e que eu tenho um precipício sem fim pelo sotaque pernambucano e ele já estava se despedindo. Engraçado ...

(des)encontros de amor

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É sempre assim. João ama Maria, que ama o Sérgio, que ama Juliana, que ama Paulo, que é gay e ama o Pedro. Mas, Pedro é hetero e ama Mariana, que ama Renato, que ama a Júlia, que ama o rapaz lá da esquina, que não ama, mas deseja muito a moça lá do caixa do supermercado, que ama um Joaquim, que ama Lúcia, que ama o vendedor da livraria e coleciona livros que nunca leu. O vendedor de livros ama Sofia, que ama André, que ama Paula, que ama José, que ama a moça da padaria e sonha em pedir outra coisa ao invés do de sempre: ‘Pão francês, por favor’. A moça que vende pães ama o Antonio, que ama Joaquina, que ama Artur, que ama sua professora de Literatura, que ama os filhos e o marido, que ama a amante, que ama de verdade o borracheiro da rua de cima. O borracheiro ama a mulher do calendário, que ama o Flávio, que ama a Lívia, que ama Rogério, que ama a patricinha metida, que ama seu cachorro e o Gustavo, que ama a Giovana, que ama seu melhor amigo, que ama a ex-namorada, que ama compras e...

Sem nós

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Foi aqui que te conheci. Em mais uma daquelas noites que a gente só procura diversão. Lembro bem de você chegando e me chamando pra dançar, lembro da forma leve como sorria e das suas mãos desajeitadas sem saber onde pousar. Lembro do seu perfume amadeirado, do seu jeans casual e do cabelo despenteado – macio. Lembro como se fosse hoje.  E será sempre hoje enquanto eu lembrar. Lembro de nós dois sentados na calçada, você não ligou pros meus olhos borrados e minha descompostura ao tirar a sandália. Pedimos um táxi e conversamos mais uma hora no portão. Vez ou outra o assunto se perdia dando voz ao nosso olhar, que pedia. Lembro da sua barba por fazer roçando-me o rosto. O coração batendo mais acelerado e algo quente, muito quente, dançando pelo meu corpo. Medo, expectativa, emoção, alívio e felicidade. Nosso primeiro beijo. Um abraço e um sorriso. Lembro de te ver caminhar de frente pra mim até a esquina acenando e mandando beijos com as duas mãos – antes de dobrar você desenhou ...

Reencontro

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Sempre fui relutante ao romantismo. O amor e eu sempre travamos uma batalha interna entre quereres, vontades e ceticismo – um passo dado e dois voltados. Mas, naquelas circunstâncias foi inevitável o coração não bater um pouco mais acelerado, afinal, te ver me pegou de surpresa. Naturalmente, percebi que minha respiração estava presa. Ele me olhava com cara de sol no meio da noite quente, sorriso entreaberto e olhos semicerrados. Me olhava com cara de não-adianta-você-fugir. Era impossível não desejar mergulhar no mar daqueles olhos que, nesta noite, brilhavam convidativos. Estávamos sentados ali mesmo, lado a lado, coração na boca, palavras nos olhos. Sutilmente, você sorriu - seu sorriso no canto da boca sempre foi o meu preferido, você sabia disso. Me chamava pra sair e eu, sem relutância ou pudor, desenhava um sim no olhar. Você não mudou nada. Continuava galante como sempre. Conhecia todos os meus pontos fracos, sabia exatamente o que fazer. Levantou-se, pôs as mãos nos bolso...