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Eu nunca disse que queria me encontrar

Um oi e eu sigo rindo pro vento e pra qualquer desconhecido que passar. Um oi , só, e eu leio teu pensamento enquanto teus olhos me cercam naquele velho e amigo íntimo beco sem saída. Você e suas armadilhas, você e seus cílios compridos, você e sua mania de me prender como se eu não tivesse como fugir, como se eu não quisesse fugir. A essa altura da brincadeira já não sei mais quem está em vantagem. Não sei, muito menos, se meus truques funcionaram. Não sei se soube jogar bem teu jogo e também não sei em que ponto de tudo a gente continuou brincando sem regras, antes tão importantes. Não sei até onde você me faz bem ou mal. Não sei mais o que você me provoca, fora aquela vontadezinha de não ir embora e ficar lá pra sempre do teu lado. Porque o melhor lugar do mundo ainda é quietinha do seu lado, sentindo seus dedos bagunçarem meus cabelos. A melhor sensação do mundo ainda é deitar sobre você e sentir os pêlos do teu peito brincarem com a pele sensível do meu rosto, ainda é senti...

Ela só é feliz no sol

Se chove lá fora, o mundo é pequeno demais debaixo do seu guarda-chuva. Porque, se o tempo fecha e o céu faz cara feia, o coração dela fica miúdo e se encolhe todo por dentro. Na sombra das nuvens escuras, ela se desfaz dos seus medos pra ocupar seus lugares e se enrosca no labirinto turvo que são suas doces e claras lembranças. Ela é triste quando as gotas do céu batizam sua dor. Se os trovões gritam pro mundo sua fragilidade, ela se esconde nas cobertas feito criança de três anos. Se chove e escurece, ela fica triste. Seus olhos escuros desafiam o breu da noite. Qual deles esconde mais mistérios? É dela o frio que pula a janela e faz cócegas nas cortinas. É dela o brilho escondido das estrelas por entre o nublar do céu da noite antecipada. É só dela o quarto fechado e as recordações presas a sete chaves dentro da gaveta bem lá no fundo do coração. Ela é leve feito pena. Ela é feito balão ao encontro do infinito, quando sobe feliz-feliz céu afora à procura do que aqui embaixo n...

Bobice...

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— Que horas são? — Oi? — Que horas são? — Nem tão cedo pra você ir embora, nem tão tarde pra decidir ficar. E aí? — Ah, para. Suas piadinhas não ficam bem de café da manhã. — Tudo bem, zangadinha. — Sério, que horas são? — Oito da manhã. Bom pra você? — Há quanto tempo você ‘tá’ aí? — Como assim? — Há quanto tempo você ‘tá‘ acordado? — Tempo suficiente pra perceber que você fala algumas coisinhas enquanto dorme e sorri enquanto sonha. — Droga! — Que foi? — Nada... — Hum. — Desculpa por tudo. — Tudo o quê? — Tudo! Tudo que eu fiz e, principalmente, o que não fiz nos últimos tempos. Eu sei que fui muito... ah, sei lá... Desculpa! — Ah... Não, não chora, amor! Nós fomos dois idiotas. Eu fui o mais idiota. Assim fica melhor? — Não, você não foi. — Fui, você sabe. — Não! — Eu te amo. — Eu também, mas... — Mas? — Muita coisa mudou desde que tudo perdeu o rumo e fomos para lados totalmente opostos. — Eu sei. Mas tudo pode mudar de nov...

Das coisas que se vão...

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Ah, eu tenho lá os meus arrependimentos. E quem não tem? Eu tenho sim aqueles momentos de parar e pensar que poxa-não-devia-ter-feito-aquilo ou, pior, merda-por-que-não-fiz-aquilo?. Todo mundo tem disso. A gente tem sempre uma lembrancinha chata que faz a gente perder uns minutinhos preciosos de vida se lamentando. É normal. Mas eu aprendi que olhar pra frente é muito mais importante (tá, eu sei que isso é óbvio). Eu não falo isso só teoricamente, só porque é fácil falar. Não, eu falo na prática mesmo. Aprendi. Puxa, demorou pra caramba, confesso. Mas uma hora a ficha da gente cai e começamos a perceber que passado é passado, já era, foi e tentar voltar no tempo não passa de uma tremenda frustração que vai te fazer muito mal conforme for acumulando as tentativas. Hoje, eu priorizo o agora e procuro viver, independentemente se amanhã vou me arrepender ou não. Amanhã o hoje vai ser passado. E aí? Quer olhar pra trás? Então olha de vez em quando, mas só se for uma olhadinha rápida...

Adeus, ano velho

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Cancela, cancela todas as lembranças ruins de 2012 que as linhas estão quase acabando! Traz o saldo de todas essas decepções que se passaram e deixa aí pendurado na tal conta do destino. Mais um livro vem aí, todo ansioso, com páginas limpinhas pra gente rabiscar uma nova história. Hoje, sinceramente, eu só quero que 2012 termine bem. Só isso e nada mais. E, pra 2013 – se puder fazer algum pedido -, eu quero saúde e fé. Com o resto eu me viro. Não tenho medo de viver. Eu sei, eu sei que bate aquele friozinho na espinha. Mas, o legal é isso: a emoção de não saber. Porque, se a gente soubesse, que graça teria? Eu não gosto de fim de ano, do clima de Natal, não sei, pode até ser esquisitice, sei lá. Mas, não gosto. Acho um saco de nostalgia pesado demais que se estende num mês que se arrasta cheio de devia-ter-feito-isso, não-devia-ter-feito-aquilo. Gosto mesmo é da sensação do começo, a sensação de que a vida é sempre um [re]começo e que as esperanças nunca acabam porque há sempre...