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Das verdades mal (ditas)

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É verdade, eu gosto do silêncio. É verdade que, às vezes, pra me dar ouvidos, eu preciso te olvidar. E, pra me ver, eu precise te apagar, pra, quem sabe, me apegar a qualquer coisa que me devolva o ar, que me traga paz e me seja cais. É verdade, é verdade que há limite para tudo nesta vida e que não há vida para tudo aquilo que nos limitamos. Sei que das minhas fronteiras já não quero mais me aproximar, sei que de outros mundos, por enquanto, não quero me arriscar. Quem sabe em outras rimas, em outros versos se façam par, embora sempre ímpares. Embora sempre espessos e dispersos. A madrugada me abraça. É verdade. Carinhosamente, me afaga. A noite guia minha mente e modela minhas palavras para que elas saiam em passos e ritmo leves, que dancem feito plumas, não como facas. Que me façam graça, não mais desgraça. É verdade que em todo nunca mais mora o medo do  mais uma vez e em cada despedida, uma vontade de ficar. Em cada não, reside uma dúvida e em todas as dúvidas, mai...

Dia e noite

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Talvez a noite não seja mesmo pra dormir, mas, talvez, também não seja pra pensar. Talvez o dia, de tão claro, seja mesmo pra desanuviar, pra descortinar o que a noite deixou se esconder, pra secar o que a chuva lavou - e levou. Vai ver que a noite nem é tão escura, nem é tão fria, nem é tão só, se a gente consegue olhar as estrelas, se a gente consegue tocar na lua. E o dia nem é tão claro, nem é tão sol, se o nosso céu fica nublado. E alguns algodões, às vezes, são de sal. Quando o céu se descortina, o dia pode fechar, ou a noite pode abrir. Também é assim com a poesia dentro da gente. Talvez as palavras não precisem ser bem colocadas para serem bonitas, basta caberem. E o bonito, às vezes, é meio torto, meio desalinhado, meio sem jeito, meio cansado. Mas bonito, ainda assim, mesmo que, apesar de. Vai ver que é assim com a gente também. Talvez a gente tenha que viver se equilibrando na corda da poesia, pra não desalcançar do céu, pra não deixar de colorir. Porque, pra ...

Controle

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Mas, vem cá, me conta, de que janela você jogou fora seu manual de instruções? Por onde começo a procurar? Em que capítulo eu encontro tuas instruções básicas? Em que botão eu aperto play? Onde é que eu te desligo do automático e te trago aqui pra mim? Às vezes eu tenho a sensação de que as coisas entre nós acontecem meio que em câmera lenta, sei lá. Outras vezes, parece que, quando finalmente o filme anda, você pausa e eu nunca consigo continuar. A verdade é que essa história anda rodando do seu jeito e, talvez, isso não seja tão legal, já que o seu jeito é algo que eu ainda não aprendi a lidar. Fico aqui imaginando como seria se você não pausasse tanto esse rolo todo, se você não ficasse off por algum tempo e não acelerasse, antes de desacelerar novamente. Tanta coisa poderia ter acontecido nesse intervalo.. mas que só poderia, simplesmente porque você, por uma razão ou outra, prefere prolongar, ou sei lá o quê.. E, olha, pra falar a verdade, eu não gosto de inícios. Mas també...

Das decepções da vida, etc

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Percebo que sou mesmo muito ingênua quando ainda consigo me surpreender com o cinismo das pessoas e, pior, algumas delas conseguem superar-se cada dia mais de um jeito que você nunca imaginou, como se vivessem em buscas incessantes de recordes em como-fazer-alguém-de-otário. Por que cinismo é exatamente isso, é ter um nível de descaramento a ponto de subestimar a capacidade emocional de alguém, é brincar com o que de melhor cada pessoa pode ter: a fé no outro, no mundo. E não importa quantas decepções você já teve na vida, quantas vezes já sofreu por causas diversas, nem importa quantas outras vezes tenha aprendido, muito menos importa o quão protegida você acha que esteja. Cada situação é nova, é única e, consequentemente, diferente. Quando você pensa que já viu de tudo, quando você acha que é maduro o suficiente, que nada! De repente você se decepciona e despenca em queda livre do alto mais alto que já pôde alcançar. Decepções fazem parte da vida e, como já dizia a frase clich...

É dela minha calma, é teu o meu verso

Quando a lua se mostra, o céu se descortina. As estrelas se dispersam para, juntas, brilharem. É só dela a beleza da noite, é dela a minha inspiração. Às vezes, sinto vontade de ir até lá, ver se o mundo, lá de cima, também é bonito, também rouba suspiros.. ver se o teu encanto, moço, resolve por lá ficar. Mas, daqui debaixo, por entre o sal que lava meu rosto, eu olho pra lua, tão perfeita, tão amada, e só penso em você. A perfeição da noite é dela, mas os meus pensamentos são seus. Talvez seja clichê demais te dizer tudo isso, mas, sempre que me pego pensando assim, no meio da noite, debaixo do céu, descubro que a todo instante era você. Era só você. E aí meu coração aperta e vai diminuindo até quase sumir; e eu só consigo cerrar os olhos e sentir as batidas mais aceleradas gritarem por dentro e, por fora, a grama gelada faz um carinho nas costas das minhas mãos. De repente, abro os olhos novamente e ela continua ali, linda, a me sorrir como se quisesse me dizer que a beleza das...