Ah, sei lá. Você tem me roubado muitos pensamentos e distrações e aposto sem medo de perder que nem desconfia. Quem diria que você, com esse seu jeito meio tonto, meio bobo e todo atrapalhado iria conquistar alguém – iria me conquistar. Justo eu, tão cética, tão controlada, tão racional, tão contra todas essas besteiras que a gente faz quando se está apaixonado, justo eu que odeio ser piegas e não sei ser romântica. Quem diria que eu, logo eu, escreveria vários textos pra você e risse deles ao mesmo tempo. Você vem acertando sem querer e me ganhando sem querer ganhar. Você anda adivinhando meus pensamentos e nem se dá conta. Você se dá conta de pouca coisa, aliás, anda perdido em um mundo que nem sabe se é real, anda a divagar nas suas indagações que eu sempre ajudo a responder. Parece que eu te conheço melhor do que você e consigo te acalmar quando seu coração fica meio inquieto. Você vive com a cabeça na lua e os pensamentos em algum lugar pra onde eu iria correndo se soubesse ...
Eu sei que quando eu te olho você nem imagina quantas voltas eu dou sem sair do lugar. Eu sei que você não sabe o quanto eu penso em você e por quantos mundos passeio enquanto observo seus ombros largos. Eu sei que você não sabe o que eu vejo nos seus olhos quando os nossos olhares se encontram. Já reparou? É meio estranho, meio profundo, meio tímido, meio íntimo - me sinto nua, te sinto perto, tua. Eu sei que você não sabe o quanto eu acho linda a sua risada – meio boba, meio inocente, meio idiota, sem pretensão. Você é tão natural, e eu fico toda boba. Adoro quando você faz cara de perdido e eu tento te achar. Você não sabe, mas eu sei como bate o meu coração quando você passa do meu lado. E quando você me diz dos seus inúmeros problemas com as mulheres e que não consegue conquistar nenhuma delas sinto vontade de te dizer tudo que estou escrevendo agora e muito mais, sinto vontade de dizer que você me conquistou sem nem ter tentado. Finjo que nem ligo pra você, mas reparo em todo...
Tédio nosso de cada domingo, que vem e se vai de mansinho escorregando por entre a vontade danada de algo diferente no intervalo dessas trocas frequentes de canal ou, quem sabe até, no breve instante em que fechamos os olhos pra voltar lá atrás, mesmo sem querer. Tédio [para-que-te-quero] que teima em ser só meu. E aí eu corro pro bloco de notas e deixo escorrer pelas pontas dos dedos alguma coisa quente que passeia dentro de mim. Alguma coisa que nem eu mesma sei o que é. O céu rosa alaranjado faz um véu sobre o brilho tímido das estrelas que, aqui e ali, disputam uma vez no espetáculo do cair da noite; e de repente a chuva vai caindo bem de leve, sem pressa e ritmada num passo tranquilo de quem não quer ir, não agora. O vento vai soprando devagar fazendo dança nos fios de cabelo que caem desarrumados do meu coque improvisado e, brincando atrás da minha nuca, vai levando embora esse medo, todo meu, de pensar. No apartamento do lado, meu vizinho arrisca umas melodias doces no v...
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