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Fe - li - ci - da - de

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O problema de ter a felicidade estampada na cara é que muitas vezes ela não passa disso: uma velha estampa desbotada e desgastada na cara de quem não está nem um pouco feliz. Fingir felicidade não rola, é perda de tempo. Mas tem gente que não enxerga, ou não quer ver, vive à procura de alguma coisa que perdeu não se sabe onde, nem quando. FE-LI-CI-DA-DE A tal palavrinha mágica. O que todo mundo busca, mas ninguém sabe por onde começar a procurar. Espera! Precisamos procurar a NOSSA felicidade? Como assim, algo que é meu por direito anda perdido por aí? Oi? Quer dizer que, de repente, alguém pode encontrá-la e roubá-la de mim? Justo ela, que é só minha, tão minha, tão feita SÓ pra mim... Dizem por aí que a felicidade não é plena, não é constante, não é pra sempre, não é fixa e blá blá blá. Dizem que a palavra tão ecoada no nosso inconsciente é um estado momentâneo de estar; é um instante ali, exatamente AQUELE instante. E amanhã? Amanhã não sabemos se seremos felizes? Amanhã, ...

Amor-mesmo

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A gente sabe que é amor quando não sente mais vontade de ir embora do abraço. Quando o colo vira ninho, a companhia vira riso e a alegria vira verso. É quando o laço vira nó e não desata. Amor, amor-mesmo, a gente [re]conhece de longe, a gente avista na curva. E não adianta, a gente não consegue fugir, não consegue fingir, não consegue desviar. Amor, amor-mesmo é quando a gente se doa – e se dói , de vez em quando. É quando as bocas se encaixam e não perdem o jeito, apesar de. É quando os corpos conversam, se atraem e dançam em sincronia não ensaiada. É quando o ritmo não se perde, mesmo que a música não toque com frequência. A gente sabe que é amor quando a falta sobra pelos cantos da casa, quando a cama – larga – é pequena pra caber tanta ausência. A gente sabe, embora ache que não. Amor é quando você levanta de madrugada e vai correndo escrever, é quando esse amor todo transborda no peito e escorre pelo papel. Amor, amor-mesmo, é quando a gente não sabe nem explicar, é quand...

Depois do tédio

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Tédio nosso de cada domingo, que vem e se vai de mansinho escorregando por entre a vontade danada de algo diferente no intervalo dessas trocas frequentes de canal ou, quem sabe até, no breve instante em que fechamos os olhos pra voltar lá atrás, mesmo sem querer. Tédio [para-que-te-quero] que teima em ser só meu. E aí eu corro pro bloco de notas e deixo escorrer pelas pontas dos dedos alguma coisa quente que passeia dentro de mim. Alguma coisa que nem eu mesma sei o que é. O céu rosa alaranjado faz um véu sobre o brilho tímido das estrelas que, aqui e ali, disputam uma vez no espetáculo do cair da noite; e de repente a chuva vai caindo bem de leve, sem pressa e ritmada num passo tranquilo de quem não quer ir, não agora. O vento vai soprando devagar fazendo dança nos fios de cabelo que caem desarrumados do meu coque improvisado e, brincando atrás da minha nuca, vai levando embora esse medo, todo meu, de pensar. No apartamento do lado, meu vizinho arrisca umas melodias doces no v...

Bagunça

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“ — Que mulher doida, meu Deus!” Lembro que tu disse isso entre risos, enquanto eu fiquei muda do outro lado da linha sem saber ao certo qual a reação mais certa pra uma afirmação tão cheia de graça e de verdade. Uns seis segundos depois dei uma risadinha meio insegura de quem não sabe se o que ouviu foi bom, ruim, razoável, péssimo, etc... Segundo o que tu diz, eu sou chata, meio pessimista e uma doida da imaginação muito fértil. Olha, faz uns três dias que me pergunto se sou tudo isso mesmo, se você não se precipitou em fazer um retrato meu em tão pouco tempo ou se, putz , como você pode ser tão bom em traçar perfis em apenas uma semana de convivência? Sei lá, na verdade eu tenho medo dessas sensações que tu me provoca, tenho medo desse teu jeito estranho que tu teima em dizer que não tem, mas tem, eu sei. Sou bem melhor nesse troço de traçar perfis do que você. Pra variar, passei o dia pensando na última vez que conversamos. É como tu disse, eu tenho o mundo inteiro na mi...

Eu nunca disse que queria me encontrar

Um oi e eu sigo rindo pro vento e pra qualquer desconhecido que passar. Um oi , só, e eu leio teu pensamento enquanto teus olhos me cercam naquele velho e amigo íntimo beco sem saída. Você e suas armadilhas, você e seus cílios compridos, você e sua mania de me prender como se eu não tivesse como fugir, como se eu não quisesse fugir. A essa altura da brincadeira já não sei mais quem está em vantagem. Não sei, muito menos, se meus truques funcionaram. Não sei se soube jogar bem teu jogo e também não sei em que ponto de tudo a gente continuou brincando sem regras, antes tão importantes. Não sei até onde você me faz bem ou mal. Não sei mais o que você me provoca, fora aquela vontadezinha de não ir embora e ficar lá pra sempre do teu lado. Porque o melhor lugar do mundo ainda é quietinha do seu lado, sentindo seus dedos bagunçarem meus cabelos. A melhor sensação do mundo ainda é deitar sobre você e sentir os pêlos do teu peito brincarem com a pele sensível do meu rosto, ainda é senti...